Sempre que uma nova banda de “rock” aparece na grande mídia, indo além dos padrões estéticos e comportamentais daquilo que é usualmente considerado como rock (nas suas mais variadas instâncias), há um rebuliço. Na realidade, talvez rebuliço não seja o termo mais correto, mas é evidente que há epsiódios em que elementos simbólicos são distorcidos, usurpados e readequados somente para fins mercadológicos.
Ainda que esta dinâmica ocorra nas duas – ou mais – vias possíveis, é obviamente mais fácil constatar este processo quando se dá à partir de algum elemento criado fundamentalmente para fins de mercado. Os casos são inúmeros. Desde a chamada new wave, que foi tida pelos punks dos anos 1970 como a construção mediática em resposta ao punkrock, é possível perceber este fluxo constante.
No caso específico do Punk, no entanto, a resposta sempre foi incisiva e radicalizada. Se a “massificação” e produção de enlatados do punkrock sinalizava com o esgotamento das possibilidades, logo surgiu o Oi! (ou streetpunk), levando a sonoridade de volta aos guetos de onde partiram. Outra resposta aos enlatados-punk, foi, claro, toda a leva do hardcore britânico (e também o norte-americano /californiano), que, a partir de meados de 1982, tornou o punk ainda mais agressivo, tanto musicalmente, quanto esteticamente e – por que não? – politicamente.
Este processo é mundialmente conhecido e é, certo modo, comum. O punk sempre foi dialético; edificante e niilista ao mesmo tempo, adeptos das teorias do bem-estar social (!) e entusiastas de uma guerra nuclear, ao menos para fins discursivos. Há, no entanto, um exemplo que rompe com isto tudo (o radicalismo do punk), difícil de acreditar somente com relatos orais. Para mostrar o tamanho de perplexidade que tive ao conhecer o dito cujo, vou citar dois eventos distintos.
Cena 1 – Sex Pistols no palco. Sid Vicious recebe uma lata de cerveja na testa, abre um corte e o sangue corre pelo corpo franzino do menino de ouro do punk britânico. O sangue se mistura ao suor e – pronto! – iconizado está o momento.

Cena 2 – Um junkie, com pênis minúsculo, sobe ao palco. Vocifera palavras de baixo calão. E não são palavrões usuais de uma gig punk, mas sim insultos pesados (Kill thy father, Rape thy mother). Não satisfeito, a criatura ainda parte para as vias de fato com alguns fãs. Adiante, começa a se cortar. Obstinadamente, ele passa a defecar no palco e ingerir suas próprias fezes. O seu nome? Jesus.
Por tão “cabulosa” a história, fica difícil de acreditar. Mas, de fato, isto existiu, embora talvez sem tamanha intensidade (ainda que tudo leva a crer que sim). O garoto nascido Jesus Allin, com o tempo se tornou GG Allin, figura lendária da cena punk norte-americana dos anos 1980 e 1990. Participou de várias bandas e tocou em diversos shows que terminavam em porradaria regada à sangue e excremento.
Ainda que os episódios dignos de filme de horror sejam muitas vezes mais marcantes que a própria trajetória artística de GG Allin, é necessário ressaltar que muitos dos sons são clássicos, como pode ser notado logo abaixo.
Ainda assim, é praticamente inevitável dissociar o som das bandas de GG Allin de seus episódios mais assustadores. Só para citar e situar um exemplo, Dee Dee Ramone, o mais punk e junkie dos Ramones (vide a canção 53rd & 3rd), não conseguiu seguir adiante com GG Allin. Sobrou, de fato, para o Jesus em questão, a companhia de um irmão tão “inóspito” quanto ele. O documentário “Hated: GG Allin and the MurderJunkies” aborda justamente a caótica trajetória de GG e a banda na qual tocava seu irmão. Brigas com o público, aparência deplorável causada pelo uso (além do) excessivo de heroína etc.
Seria lugar comum afirmar que GG Allin sempre viveu à margem da própria cena punk norte-americana. Ainda que isto tenha certo sentido, pois seus shows eram raros e curtíssimos, certos momentos mostram que havia, ao menos, um determinado número de admiradores do messias. As cenas abaixo, teoricamente filmadas um dia antes da morte de GG Allin, são para qualquer um fã do filme “Kids” achar que, no caso da película, retratam apenas crianças. Crianças inocentes.
Se foi, de fato, o último dia de vida de GG Allin, difícil determinar. Mas, de qualquer modo, o funeral de Jesus foi também inóspito, aterrorizante, e, para delírio dos sedentos, gravado e disponibilizado no youtube.

mew mo tese de mestrado kra resume isso kkkkkkkk
Ok: ele nasceu, cago, cantou, cagou, comeu (o que cagou) e morreu. Basicamente isto, @ruidurecendo.
rssrsrsrsrs p/ isso q ele eh tao gordo???/ e gostei da indicacao de twiter mto bom esse kra vlw flw
É, realmente o tamanho do pênis justifica muito dessa insanidade, haha. E eu achava o som da banda bem foda.
Escreve mais sobre música =)
brima
Informações novas pra mim. Gostei!
GG Allin era foda!
Tem varias fases com bandas diferentes e sons diferentes. O cara gravou até um disco cowntry!
“No Rules” é um clássico da fase mais Punk de GG (musicalmente falando). Apesar de ser lembrado mais pelas bizarrices ao vivo, curto muito os sons dele!
Bite It You Scum
Die When You Die
I Kill Everything I Fuck
Look Into My Eyes And Hate Me
Outlaw Scumfuc
Terror In America
Highest Power
Cunt Sucking Cannibal
Expose Yourself To Kids
Gypsy Motherfucker
Kill The Police
I Love Nothing
I Hate People
Blood For You
Live Fast, Die Fast
… Entre outras!
R.I.P. GG Allin \,,/,