Eis que as “coisas” mudam, a inexorável marcha do tempo.
Vivemos morrendo e vivemos para morrer, mas nunca saberia – por mais que anunciado – que as feridas profundas seriam aquelas incólumes, praticamente imperceptíveis. Os cabelos já se foram, os espinhos repousam nas gavetas. As botas, aquelas que marchavam em nossos corações, não existem mais. A irmandade que a cerveja barata proporcionava … esta se esvaiu, como era de esperar, mas a cegueira momentânea imortalizava um sentimento.
Amizades voláteis, irmandades efêmeras. Por que o mal cristão não saberia colocar a cara à tapa, e de fato jamais a pôs. Pois a amizade que julgavam solidificada, vejam bem, foi nada além que um gole de cerveja, talvez daqueles mais longos.
Portanto, depois da digestão que só o tempo trás, restam apenas aqueles espinhos nas gavetas, junto daquelas botas que não marcham mais. E seguimos caminhando, cada qual ao seu passo, cada qual ao seu sopro.
