Há alguns dias atrás, o Corinthians lançou uma nova camisa, em comemoração ao centenário do clube. A camisa foi a seguinte:
Minutos após ao lançamento da camisa, surgiram protestos de diversos torcedores, organizados ou não, propondo um boicote, afirmando que a camisa denigre a imagem do time, ainda mais num ano comemorativo, tal qual o aniversário da fundação do clube. O problema da terceira camisa do Corinthians e uma parcela de sua torcida já vem de algum tempo atrás, creio que cerca de três anos.
Logo após o time voltar à primeira divisão do campeonato nacional, a diretoria (ou marketing, não sei) decidiu lançar uma camisa em homenagem aos torcedores e também em comemoração ao feito (!). Para tal, elegeram que o mais adequado seria uma camisa na cor roxa. A gozação que surgiu não foi somente por conta de um certo tradicionalismo que existe nos torcedores de futebol, em relação ao surgimento – ou melhor, ao aumento – das terceiras camisas dos clubes de futebol (isto não é uma crítica, deixo bem claro), como havia ocorrido com o Palmeiras e a “verde” limão.
O fato é que o uniforme roxo do corinthians logo foi comparado a um simpático bichinho de televisão, o Think Wink, dos Telletubies, que é tomado como símbolo de diversos movimentos gays (por conta da cor, entre outros motivos). Os protestos foram relativamente grandes, ao menos sob a minha perspectiva, e o fato é que as vendas da camisa não engrenou, como aconteceu com o rival alviverde.
Após isto, a diretoria do Corinthians continuou a utilizar a fórmula terceira camisa + roxo, e lançaram um outro uniforme que se assemelhava à camisa da Internazionale de Milão, ainda mais na visão dos torcedores rivais.
Enfim, a última novidade da diretoria de marketing do Corinthians foi a terceira camisa da foto acima. Foi bastante criticada, como já disse, e logo surgiram diversos argumentos críticos. Um destes denunciava que o Corinthians/Nike havia plagiado novamente a camisa da Inter (que, por sinal, também é produzida e concebida pela Nike). Eis a camisa:
Li em algum site, não me lembro ao certo se foi o “Minhas Camisas“, que tal semelhança não era tão dificil ocorrer, tendo em vista que tanto a camisa do Corinthians, quanto da Inter, faziam menção à São Jorge, patrono dos times. Nisto ocorre um engano que é facilmente explicado:
A camisa da Inter foi projetada para homenagear a própria história do clube. Durante a ditadura fascista de il Duce, Benito Mussolini, as organizações de esquerda (comunistas, anarquistas, socialistas) eram duramente perseguidas e reprimidas. Deste modo, qualquer menção à ideais esquerdistas era visto não somente com desconfiança, como também sofriam diversas sanções do governo, buscando a dissolução de qualquer movimento contrário à ditadura.
A Internazionale sofreu pelo fascismo um fato que agora é curioso mas que, na época, foi certamente bastante doloroso: foram obrigados a mudar de nome, distintivo e até cor do clube. Tudo isto porque (ao menos até onde sei), as autoridades fascistas compreendiam que o nome Internazionale remetia aos comunistas e afins. Por quê? Simples: Internazionale – Internacional – Internacionalistas – Internacional Comunista.
O clube passou a ser conhecido como Ambrosiana. O nome era uma homenagem ao padroeiro da cidade de Milão, Santo Ambrósio. A cruz da camisa da Inter não é a Cruz de São Jorge, mas sim Santo Ambrósio:
Ok, de fato esta é a Cruz da camisa da Inter. Porém, nada impede que o Corinthians use uma cruz em sua camisa, afinal de contas, há um fator histórico nisto (a cruz de São Jorge). Simples? Nem tanto. De fato, a Cruz de São Jorge é importantíssima para as origens e tradições do clube alvinegro, porém, há uma questão além da mera acusação de cópia entre camisas.
“Alessandro defendeo uso da cruz de são jorge em nova camisa” – Terra Esportes
Por mais que haja uma pequena variação na questão de como é empregada a cruz de são jorge em diversas bandeiras no mundo afora (por exemplo, a bandeira da Grécia), este símbolo é reconhecido facilmente como uma cruz vermelha em um fundo branco. Assim aparece na bandeira da Inglaterra, como também no símbolo do Barcelona FC.
É óbvio que eu não estou levando em conta a questão da inovação e criatividade na relação existente no processo de produção da camisa do Corinthians. Porém, é completamente viável entender o motivo de revolta do torcedor corinthiano: 1) A camisa roxa não recebe uma acolhida tão calorosa da torcida,e já não é a primeira vez; 2) A Cruz de São Jorge, como todos conhecem, não é Roxa com fundo preto; 3) Num centenário do clube, espera-se ver menções concretas à história do próprio, não somente inovações que soam como distorções em alguns lugares de memória para os torcedores.
È claro que, se utilizassem a cruz de são jorge na camisa, como ela é conhecida, ficaria praticamente idêntica à da Inter de Milão, porém, não é preciso que o desenho seja trabalhado no mesmo molde, soa até um pouco de “relaxo” da equipe de produção.
Clubes que tem a cruz em sua história não são poucos, e cada um destes têm procurado diferentes formas de se trabalhar com isto, mesmo que às vezes uma “repetição” inevitavelmente apareça. Para ilustrar, separei alguns exemplos:
1) Terceira camisa da Portuguesa/SP, lançamento em 2010;
2) Camisas do Parma/Italia;
3) Terceira camisa do Boca Juniors/2010
4) Terceira camisa do Vasco da Gama, à ser lançada neste ano;
5) Terceira camisa do Palmeiras, lançada em 2009,




Cada uma traz referência à própria história do clube, tal qual a Cruz de Savóia no Palmeiras, a cruz da bandeira da Suécia na camisa do Boca e a Cruz de Ávis na camisa da Portuguesa. Não sei ao certo qual é a cruz da camisa (e do brasão) do Parma. Se alguém souber, por favor, me avise.
Visitando alguns sites em busca de fotos de camisas, encontreis dois que ainda não conhecia: o Camisa de Futebol e o Eu quero essa Camisa!. Sugiro a visita!






