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pois o Corinthians é grande

1 set

Poderíamos ficar aqui discorrendo sobre a grande lista de craques do time. Mas, todos times tem os seus craques, alguns mais especias, outros não. Porém, no coração do torcedor de qualquer equipe sempre reside o craque de seu time, em um pedestal que qualquer gênio do futebol sequer alcançaria.

Acho interessante o Sócrates (escreve na Carta Maior, afinal). Lembro-me do carrinho de Tupãzinho. Passei muitos momentos de raiva vendo aquele M. Carioca fazendo gols em Veloso.  Raiva, admito, não somente pela partida, mas um pouco pelo caráter daquele, que não me parece o mais louvável do mundo.

O que ocorre, no entanto, é que o Corinthians é definitivamente grande. E assim é por conta de sua história, de sua formação, da ligação sempre existente com as classes populares, com a ralé. Não à toa,  a democracia futebolística alí “reinou”. Os primórdios de sua existência bem mostram – e a historiografia atesta – as barreiras que lhe foram impostas.

O time dos ‘pretos’, junto com os time dos ‘italianinhos’. É nisto, justamente, que reside a grandeza do Corinthians. Ele é o óleo da água palestrina, e vice-versa. Há o enxofre, sempre houve e, infelizmente, afro-italianos salvaram o enxofre da diluição da história, por meio de malditas barricas.

O ódio, deixo para aqueles que menosprezo. Não posso odiar quem eu reconheço. Rival sim, inimigo jamais. A história deles não permite isto, eles mesmos não merecem, assim como não merecem a libertadores – e nisto cabe a falta de competência deles e a enorme alviverde.

Feliz 100 anos, Corinthians. Mais sorte nos próximos 100, vocês vão precisar.

O Futebol e a Cruz

12 fev

Há alguns dias atrás, o Corinthians lançou uma nova camisa, em comemoração ao centenário do clube. A camisa foi a seguinte:

Minutos após ao lançamento da camisa, surgiram protestos de diversos torcedores, organizados ou não, propondo um boicote, afirmando que a camisa denigre a imagem do time, ainda mais num ano comemorativo, tal qual o aniversário da fundação do clube. O problema da terceira camisa do Corinthians e uma parcela de sua torcida já vem de algum tempo atrás, creio que cerca de três anos.

Logo após o time voltar à primeira divisão do campeonato nacional, a diretoria (ou marketing, não sei) decidiu lançar uma camisa em homenagem aos torcedores e também em comemoração ao feito (!). Para tal, elegeram que o mais adequado seria uma camisa na cor roxa. A gozação que surgiu não foi somente por conta de um certo tradicionalismo que existe nos torcedores de futebol, em relação ao surgimento – ou melhor, ao aumento – das terceiras camisas dos clubes de futebol (isto não é uma crítica, deixo bem claro), como havia ocorrido com o Palmeiras e a “verde” limão.

O fato é que o uniforme roxo do corinthians logo foi comparado a um simpático bichinho de televisão, o Think Wink, dos Telletubies, que é tomado como símbolo de diversos movimentos gays (por conta da cor, entre outros motivos). Os protestos foram relativamente grandes, ao menos sob a minha perspectiva, e o fato é que as vendas da camisa não engrenou, como aconteceu com o rival alviverde.

Após isto, a diretoria do Corinthians continuou a utilizar a fórmula terceira camisa + roxo, e lançaram um outro uniforme que se assemelhava à camisa da Internazionale de Milão, ainda mais na visão dos torcedores rivais.

Enfim, a última novidade da diretoria de marketing do Corinthians foi a terceira camisa da foto acima. Foi bastante criticada, como já disse, e logo surgiram diversos argumentos críticos. Um destes denunciava que o Corinthians/Nike havia plagiado novamente a camisa da Inter (que, por sinal, também é produzida e concebida pela Nike). Eis a camisa:

Li em algum site, não me lembro ao certo se foi o “Minhas Camisas“, que tal semelhança não era tão dificil ocorrer, tendo em vista que tanto a camisa do Corinthians, quanto da Inter, faziam menção à São Jorge, patrono dos times. Nisto ocorre um engano que é facilmente explicado:

A camisa da Inter foi projetada para homenagear a própria história do clube. Durante a ditadura fascista de il Duce, Benito Mussolini, as organizações de esquerda (comunistas, anarquistas, socialistas) eram duramente perseguidas e reprimidas. Deste modo, qualquer menção à ideais esquerdistas era visto não somente com desconfiança, como também sofriam diversas sanções do governo, buscando a dissolução de qualquer movimento contrário à ditadura.

A Internazionale sofreu pelo fascismo um fato que agora é curioso mas que, na época, foi certamente bastante doloroso: foram obrigados a mudar de nome, distintivo e até cor do clube. Tudo isto porque (ao menos até onde sei), as autoridades fascistas compreendiam que o nome Internazionale remetia aos comunistas e afins. Por quê? Simples: Internazionale – Internacional – Internacionalistas – Internacional Comunista.

O clube passou a ser conhecido como Ambrosiana. O nome era uma homenagem ao padroeiro da cidade de Milão, Santo Ambrósio. A cruz da camisa da Inter não é a Cruz de São Jorge, mas sim Santo Ambrósio:

Ok, de fato esta é a Cruz da camisa da Inter. Porém, nada impede que o Corinthians use uma cruz em sua camisa, afinal de contas, há um fator histórico nisto (a cruz de São Jorge). Simples? Nem tanto. De fato, a Cruz de São Jorge é importantíssima para as origens e tradições do clube alvinegro, porém, há uma questão além da mera acusação de cópia entre camisas.

“Alessandro defendeo uso da cruz de são jorge em nova camisa” – Terra Esportes

Por mais que haja uma pequena variação na questão de como é empregada a cruz de são jorge em diversas bandeiras no mundo afora (por exemplo, a bandeira da Grécia), este símbolo é reconhecido facilmente como uma cruz vermelha em um fundo branco. Assim aparece na bandeira da Inglaterra, como também no símbolo do Barcelona FC.

É óbvio que eu não estou levando em conta a questão da inovação e criatividade na relação existente no processo de produção da camisa do Corinthians. Porém, é completamente viável entender o motivo de revolta do torcedor corinthiano: 1) A camisa roxa não recebe uma acolhida tão calorosa da torcida,e já não é a primeira vez; 2) A Cruz de São Jorge, como todos conhecem, não é Roxa com fundo preto; 3) Num centenário do clube, espera-se ver menções concretas à história do próprio, não somente inovações que soam como distorções em alguns lugares de memória para os torcedores.

È claro que, se utilizassem a cruz de são jorge na camisa, como ela é conhecida, ficaria praticamente idêntica à da Inter de Milão, porém, não é preciso que o desenho seja trabalhado no mesmo molde, soa até um pouco de “relaxo” da equipe de produção.

Clubes que tem a cruz em sua história não são poucos, e cada um destes têm procurado diferentes formas de se trabalhar com isto, mesmo que às vezes uma “repetição” inevitavelmente apareça. Para ilustrar, separei alguns exemplos:

1)  Terceira camisa da Portuguesa/SP, lançamento em 2010;

2) Camisas do Parma/Italia;

3) Terceira camisa do Boca Juniors/2010

4) Terceira camisa do Vasco da Gama, à ser lançada neste ano;

5) Terceira camisa do Palmeiras, lançada em 2009,

Cada uma traz referência à própria história do clube, tal qual a Cruz de Savóia no Palmeiras, a cruz da bandeira da Suécia na camisa do Boca e a Cruz de Ávis na camisa da Portuguesa. Não sei ao certo qual é a cruz da camisa (e do brasão) do Parma. Se alguém souber, por favor, me avise.

Visitando alguns sites em busca de fotos de camisas, encontreis dois que ainda não conhecia: o Camisa de Futebol e o Eu quero essa Camisa!. Sugiro a visita!

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Alessandro defende uso da cruz de São Jorge em nova camisaA

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