Não acompanho muito a mídia tradicional, não é questão de falta de tempo, mas sim de falta de paciência (há dias em que ligo a Globo News só para ver o Merval Pereira falando, com aquelas gravatas ridículas… é irritante, mas também relaxante). Por isto, não sei como está sendo realizada a cobertura da grande mídia sobre o caso do WikiLeaks, principalmente a questão do CableGate
Acabo conversar com uma amiga equatoriana que me disse que todos os canais de televisão estão tratando isto todo santo dia. Bem, como eu disse, sequer sei se está havendo abordagem da mídia brasileira, mas sei que a Folha/Foda/Falha de São Paulo já disse ter conseguido acesso exclusivo aos telegramas sobre o Brasil. Que beleza, o site está no ar desde 2006, colocando tudo em acesos livre e a dona Falha afirma exclusividade. Mídia caduca…
Enfim, antes que a Folha continue posando de boa-moça e redentora da democracia, convém compartilhar dois links:
1) Wiki Leaks Carta Capital – blog produzido pela Carta Capital e Natalia Viana, do Opera Mundi. Viana é como se fosse a embaixadora (rá!) do Wiki Leaks no Brasil; o blog traz algumas notícias referente ao fenômeno – e este é o termo mais adequado – e também documentos traduzidos
2) Ao vencedor, as batatas – blog anonimamente coordenado, traz também várias notícias sobre o Wiki Leaks e o Cyber-ativismo. Parece que estão precisando de voluntários para tradução de notícias e documentos.
Logo devem – e precisam! – surgir mais links da temática. Navegando por estes dois blogs, é possível perceber a dinâmica da questão, que mostra o quão a internet é anárquica, no bom sentido do termo. Talvez daqui alguns anos, este caso vai se tornar um ponto central sobre a questão do impacto dos meios digitais nas políticas concretas e, em minha humilde opinião, mostra como historiadores têm que estar atentos aos fluxos das comunicações, sobretudo a internet, que já é notada como fonte primária em alguns estudos, porém são raras as pesquisas do tipo no Brasil (Vai ver é questão de tempo, triste espírito colonial…).
A dimensão deste episódio pode ser um marco histórico, massatack em vários sites, sistemas bancários, e agora um garoto de 16 anos de idade é preso na Holanda por auxiliar os ataques aos sites da Amazon, PayPal, Visa, Mastercard, etc. [aqui]
Nos primórdios da internet brasileira, um filme era marcante e motivou muitos jovens a -como nos ensinou Bilu -buscar conhecimento. O filme era “Hackers, Piratas de Computadores” (ou algo assim) e, além da Angelina Jolie, tinha um enredo fraquíssimo, com notebooks de bateria eterna que eram compostos de sistemas operacionais que mais pareciam proteções de tela criadas por hippies com múltiplas overdoses de LSD.
Pois bem, os jovens buscavam o conhecimento, e os hackers mais velhos (na verdade éramos todos lammers , termo que nem deve mais existir) sempre falavam: o filme que nos retrata não é este (Piratas…), mas sim este: Wargames, película lançada em 1983, que traz a história de um jovem que “sem querer” invade o sistema norte-americano de segurança e, no contexto da Guerra Fria, quase causa a Terceira Guerra Mundial.

wargames
A história do garoto preso na Holanda não é a mesma, mas algumas semelhanças são evidentes. Além disto, este montante de informação jogada no ventilador via WikiLeaks, em outros tempos seria o princípio legitimador de um discurso beligerante que, na prática, destruiria boa parcela destes humanos. Nunca é demais ficar esperto….
