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Rebeldes y Revolucionários

19 out

Ouvi hoje uma canção que me fez ir atrás de outras. Eu explico.

“Bella Ciao” é uma canção antifascista, entoada pelos militantes anarquistas e comunistas que lutavam contra as tropas nazi-fascistas. Este termo -nazi-fascista, nazifascista – pode não ser muito apropriado em determinadas conjunturas, pois acaba confundindo dois movimentos políticos que tem determinadas particularidades. Mas creio não ser o caso, pois era justamente o cerne da batalha e, consequentemente, da canção. Do mesmo modo, colocar comunistas e anarquistas numa mesma categoria não é, de maneira alguma, descabida. Neste caso.

Eis:

 

Una mattina mi son svegliato,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
Una mattina mi son svegliato,
e ho trovato l’invasor.
morto per la libertà!»
Mi diranno «Che bel fior!»
E le genti che passeranno,

O partigiano, portami via,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
O partigiano, portami via,
ché mi sento di morir.
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!…

E se io muoio da partigiano,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E se io muoio da partigiano,
tu mi devi seppellir.
«È questo il fiore del partigiano»,

E seppellire lassù in montagna,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E seppellire lassù in montagna,
sotto l’ombra di un bel fior.

E le genti che passeranno,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!

Esta canção, após determinado tempo, passou a ser reproduzida por variados grupos Partisans, em diversas nações. Os partisans eram agrupamentos  sem muita organização, do ponto de vista militar,  que eram formados para conter e minar a ameaça de invasão nazista, na maior parte dos casos. Houve casos de Partisans com integrantes judeus.

É interessante notar que a canção continua sendo um hino antifascista, e é cantada atualmente, inclusive em estádio de futebol. Porquê? Simples, embora triste. Há inúmeros grupos racistas, xenófobos e neonazistas em atividade na europa atualmente, e muito deles contam com o apoio de algumas “torcidas organizadas” locais, que lá tem o nome “Ultra” (que, na verdade, não se resume apenas ao termo diferente, mas sim uma prática de torcer diferente do que estamos acostumados a ver no caso das organizadas brasileiras).

Casos de racismo no futebol têm sido frequente, o que levam algumas entidades proporem boicotes e campanha de esclarecimento sobre o assunto. Não sei até onde o “esclarecimento” é válido nestes casos, tendo em vista que dificilmente alguém da mentalidade de extrema-direita muda sua postura e seus preconceitos. Isto vale também para outros posicionamentos políticos, obviamente. Penso que a questão está mais no campo (sem trocadilhos) jurídico.

Na Itália, a presença de torcidas que seguem uma postura neonazista são várias, e talvez o caso mais emblemático seja da IRRIDUCIBILI (Lazio), que contam inclusive com o apoio de Paolo Di Canio, que era jogador da Lazio e fascista assumido, além de integrante desta torcida. Di Canio possui tatuagens em homenagem ao Duce, inclusive (“Dux”).

(Alguma dúvida disto? – foto da BBC/UK)

Porém, não é apenas de fachos com cara de malvado e músicas racistas que vive o futebol italiano e as claques da velha bota. Um caso de claro postura antifascista advem da torcida da Livorno.

Vejam a música que a torcida está cantando:

A Livorno, inclusive, tem um caso parecido, mas antagônico, ao de Di Canio. Cristiano Lucarelli é conhecido não apenas pelo bom futebol, mas por ser um militante comunista. Ao comemorar seus gols, frequentemente faz saudação típica

O número 99 não é por acaso. É o ano da fundaçao das Brigadas Autônomas Livornesas, ultra da qual Lucarelli é um dos fundadores. Atualmente, ele joga no Parma.

Voltando às canções antifascistas, há diversas outras do tipo:

Canto dei malfattori

Inno della rivolta

Há ainda casos de bandas de punkrock que gravaram algumas destas canções:

Inno individualista – versão da banda Youngang, banda Punk/Oi! anarquista de Torino

Há ainda La hoguera de la Revolución, que é uma canção criada durante a Guerra Civil Espanhola. Há uma versão da banda punkrock “espanhola” SinDios:

Há ainda uma versão de uma banda tupiniquim, que eu gosto bastante: Juventude Maldita (“Para às barricadas”, no youtube).

Outra canção anarquista bastante conhecida é La internacional anarquista, surgida também durante a Guerra Civil Espanhola:

“Arriba los pobres del mundo!
¡En pie los esclavos sin pan!
Alcémonos todos, que llega
La Revolución Social…”

é de arrepiar.

O hino da Internacional Comunista é bastante conhecido, o Pc do B vez ou outra apresenta a canção em seus programas na TV. Talvez seja só isto que sobrou de comunismo nas propostas e práticas do partido…

A banda Punk/Oi! Garotos Podres (embora eles prefirem o “rótulo” Rock de Subúrbio, talvez pra não criar tanta confusão, algo que sempre acompanhou a trajetória da banda) tem uma versão deste hino comunista:

Muitas pessoas acham que o Garotos Podres é uma banda anarquista. Engano.  Apesar de músicas como “Anarkia Oi!”, e outras com teor próximos ao anarquismo, eles defendem um ideal esquerdista mais condizentes ao comunismo. O Mao, vocalista da banda, é filiado ao PT (participante das alas mais esquerdistas do partido), além de ser historiador (publicou ano passado, salvo engano, um livro sobre a Revolução Cubana, fruto da tese de doutorado defendida na Universidade de São Paulo).

(É bom ver que a USP não está restrita à práticas pós-modernistas na historiografia. Um alívio)

Além de Mao, outro integrante dos Garotos Podres é militante do PT (não sei se é o Sukata ou o Mauro), inclusive foi candidato à vereador pelo partido governista nas eleições passadas, candidato na cidade de São Bernardo (ou alguma outra do ABC, não tenho certeza).

Para quem tiver oportuinidade e curiosidade, visitem o link, página do site Direitos Humanos na Internet, que reúne uma série de canções e hinos, muitas das quais revolucionárias.

Trago de bônus uma versão de Bella Ciao feita por um torcedor palestrino:

Até mais, boa semana aos (não)leitores ! :)

Di Canio possui tatuagens em homenagem ao Duce, inclusive (“Dux”).
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